Seu nome não é importante, mas seu CPF sim... afinal são milhões
e milhões de nomes, inclusive nomes homônimos (na língua portuguesa
significa duplicado), que na verdade são pessoas com o mesmo nome
que o seu, contudo, com dados diferentes e números de identificação
completamente diferentes, ufa!
Se assim não o fosse, realmente a
vida que já é difícil, tornar-se-ia insuportável... Nomes e mais
Nomes, sobrenomes, tantas “Marias”, ou tantos quantos “Josés”,
enfim um mar de infinitas possibilidades e combinações, de tantos
anseios e amarguras, principalmente ao que se refere ao crédito de
alguém...
E ainda tem aquele caso que aconteceu em um Hospital de São Paulo,
onde um homem, um tal de “João Não Sei das Quantas” deu entrada na
emergência com suspeita grave de traumatismo craniano, vítima de um
suposto atropelamento na avenida São João (olha o João aí de novo...
só que agora é santo).
Ainda na maca alguém pediu os
documentos do João: - “Cadê o CPF do homem?!...” Ninguém respondeu,
ninguém achou, ninguém viu, ele não tinha talão de cheques e nem
tão pouco cartão de crédito, aliás o João não tinha nenhum documento
e alguém falou baixinho: “Precisa de tomografia computadorizada, o
INSS não paga, e aí? O que a gente faz com o homem?!” E esperaram
pra ver se alguém chegava, quem sabe um parente “abonado”, ou quem
sabe um vizinho amigo, com um convênio dentro da cartola, nada,
ninguém...
As horas passaram devagar, até que chegou Joãozinho,
filho do João da maca, o atropelado, que depois de muita dificuldade
em encontrar o necrotério, soube que seu Pai não precisava mais
de nada, a não ser de um “funeral” ... O senhor tem cartão de crédito
senhor Joãozinho? É, porque... se não tiver a gente aceita uns “chequinhos”
pré datados, o que não queremos e não é absolutamente política de
nossa empresa, é que o senhor se preocupe com dinheiro nessas horas!
Afinal, estamos aqui para ajudá-lo nesse momento difícil, mas, infelizmente
para esse modelo de “caixão” o pagamento tem que ser antecipado,
pelo menos em 30%, o senhor entende não é? O senhor viu a qualidade
da madeira, é puro mogno! O “falecido João” merece um descanso confortável
não é senhor Joãozinho?...
E assim poderíamos ficar falando por
horas a fio e contando sobre casos e mais casos onde o crédito faz
a diferença, como o remédio urgente na hora errada... O alimento que
falta na mesa do desempregado...
Enfim, tantos casos onde realmente
a falta de um nome limpo, como pela própria expressão infeliz do
nome, demonstra acepção, discriminação e falta de compreensão dos
fatos reais ou das condições reais de quem esta inadimplente por
uma sociedade que não perdoa ninguém...
Portanto, temos a inegável
obrigação de “limparmos” nosso nome, como se ele realmente estivesse
sujo, encardido, manchado, pois caso contrário, sem o nosso nome
limpo somos desprezados, discriminados e até impedidos de conseguirmos
meios para podermos limpar esta sujeira, que nem sempre foi ocasionada
por nós e tão pouco planejada quando estávamos bem empregados, com
saúde, firmes, com contas bancárias elogiáveis, antes de sermos
sufocados pelo juros abusivo, taxas e mais taxas, caindo em um marasmo
ressecado, uma morte súbita de quem era e não é mais, como se tudo
de repente se tornasse em pesadelo que não acaba jamais, que nunca
termina... E com tudo isso e como resultado disso, veio a vergonha,
a humilhação, tipo: “Dá pra você emprestar uma folhinha de cheque?
“...
Puxa! Mas como eu vou limpar o meu nome antes de conseguir
esse emprego? Ah! Isso eu não sei, só estou te dando um “’toque”,
porque a sua ficha realmente é muito boa mas a firma não emprega
ninguém com o nome sujo, você entende não é? Política da empresa,
mas, só estou te falando em “OFF”, não é nada oficial,,,” E assim
vai... chega a ser cômico se não fosse trágico, pois como eu vou
pagar minhas contas atrasadas se eu não tiver um emprego que me
gerará recursos para... enfim, chega!
Éramos bem pobres, mas me lembro bem o que meu Pai sempre me dizia
: “Filho, somos pobres é verdade, e o único bem que eu posso te
deixar é o Nome, portanto cuida bem dele, zela do nosso nome filho,
pois não temos nada, mas, com o nosso nome honrado podemos andar de
cabeça erguida! ” E eu perguntaria hoje ao meu Pai, se ele ainda
fosse vivo: “E agora Papai?... Sujou!”
Tarlei
Bernardes Newcred
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